OIKOS REDONDO III DEL 1 DE OCTUBRE AL 4 OCTUBRE 2025


Autores: Sofia Correia

Sofia Correia, cresceu em Almada, estudou Arquitetura e Urbanismo em Lisboa e na Columbia University, em Nova Iorque — onde viveu durante dez anos e onde começou a estudar narrativa com os The Writers Studio, poesia com Cynthia Cruz e forma poética com The Loft Literary Center. Desde 2013 vive no Barrocal Algarvio, a terra dos seus avós, com o seu marido e filhos. É empreendedora criativa da sua marca artesanal Oficina Poeta Azul e da loja Colectivo 28 em Loulé. Tem publicado poemas nas revistas Esfera, Espúria, Vilegiatura da Associação Casa Álvaro de Campos e Oceanum. Participou no Poesia a Sul 2023 em Sevilha, na Feira Transfronteiriça de Arte Contemporânea 2024 em Gibraleón e no Encontro Literário Transfronteiriço Letras em la Raya 2024 em Aracena.

ICEBERGUE

 
Saltamos à vez
um a um os geométricos blocos brancos
quadrículas irregulares de icebergues
a inconstante velocidade.
Isto é algo que fazemos em família —
morremos
quando caímos nas terríveis águas
geladas ou quando saímos
fora do ecrã. Morrer faz-nos querer mais
uma vez ser parte
de um género de ritual de salvamento
do urso polar.
Como é difícil ser um urso polar,
Como é inevitável
a morte entre os instáveis fragmentos
dos icebergues a passar mais rápido
do que um clique de joystick.
Isto é algo que se tem tornado num vício —
morrer e conceder a vez
a outro membro da família.
Saltar e tentar mais uma vez
salvar o urso polar.

ICEBERG


Saltamos por turnos
uno a uno los bloques blancos geométricos
cuadrados irregulares de iceberg
a velocidad inconstante.
Esto es algo que hacemos en familia –
morimos
cuando caemos en las terribles aguas
heladas o cuando nos salimos
fuera de la pantalla. Morir nos hace querer
una vez más formar parte
de algún tipo de ritual de rescate
de osos polares.
Qué difícil es ser un oso polar,
Qué inevitable
la muerte entre los fragmentos inestables
de icebergs que pasan más rápido
que el clic en el control de mandos.
Esto es algo que se ha convertido en una adicción-
morir y dar la vez
a otro miembro de la familia.
Saltar e intentar una vez más
salvar al oso polar.